Manual Afetivo de Crowdfunding para Cidades

Se você tem uma ideia para melhorar sua cidade, acha que o financiamento coletivo pode ser o caminho para colocá-la em prática, mas não sabe por onde começar, esse manual foi feito para te ajudar. Sabemos bem como é se sentir assim. Há cinco anos, o Cidades para Pessoas era apenas uma ideia rascunhada sobre o papel que não sabíamos como viabilizar. Foi aí que descobrimos que seria lançada a primeira plataforma de crowdfunding do Brasil. Quando o Catarse entrou no ar, em janeiro de 2011, um dos projetos que estava no ar era nosso – temos orgulho de ser o usuário número 11 da plataforma, onde hoje há 500 mil cadastrados. Nossa campanha foi bem sucedida, tivemos outras duas que deram certo e acompanhamos diversos projetos também financiados coletivamente que geraram impactos positivos mensuráveis em cidades brasileiras. Com base em nossa experiência e pesquisa, organizamos um pequeno manual com dicas para ajudar mais pessoas a materializar ideias e melhorar cidades. Esse manual foi testado e aprimorado em uma oficina prática, em São Paulo, e agora ganha essa edição digital. Esperamos que seja útil e inspirador – e contamos contigo para apontar onde podemos melhorar.

Com amor, Equipe Cidades para Pessoas.

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O que precisa estar claro no seu projeto
Os projetos que nos inspiram
A interface com o poder público
As plataformas de crowdfunding do Brasil
O vídeo da sua campanha
EXTRAS
Exercícios para te ajudar a investigar a sua cidade
Um pouco sobre as nossas campanhas bem sucedidas


Licença Creative Commons Esta obra está licenciada como Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Brasil.

 


O que precisa estar claro no seu projeto

Crowdfunding, ou financiamento coletivo, é uma tecnologia que une pessoas para dividir custos e realizar sonhos. As regras do financiamento coletivo variam um pouco de acordo com a plataforma (falamos mais sobre as brasileiras abaixo), mas o básico é: cada projeto tem uma meta financeira, um prazo de campanha estabelecido pelo realizador e cotas de apoio que dão direito a recompensas. Se a meta for atingida no prazo estipulado, o projeto acontece. Caso contrário, os apoiadores recebem seu dinheiro de volta. Mas antes de pensar em quanto quer arrecadar ou quais serão suas recompensas, sugerimos que você se concentre em deixar claros esse seis aspectos, que não necessariamente acontecem numa ordem linear: ideia, ação, rede, valor, campanha e continuidade. Com clareza nesses ítens, acreditamos que você tem grandes chances de escrever um projeto que seja relevante, ressonante e replicável para sua cidade.   

 

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O que você sente que precisa fazer para melhorar sua cidade? Por que você precisa fazer isso? Por que sua cidade precisa que você faça isso?

Seja específico. Ideias como “melhorar o trânsito”, “trazer mais pessoas para conviverem nos espaços públicos da cidade” ou “requalificar um rio” são lindas e acreditamos que até dá para desenvolvê-las em um projeto de crowdfunding. Mas você precisa especificar um pouco melhor o que, dentro desses objetivos genéricos, você consegue fazer com suas habilidades e os eventuais parceiros que imagina chamar para trabalhar no seu time. Não queira abraçar o mundo com a sua ideia. Faça aquilo que você realmente se sente movido e pronto para fazer. Até porque, honestamente, uma campanha de financiamento coletivo dá muito trabalho. Convencer as pessoas de que sua ideia é boa  e merece um investimento é algo que você só conseguirá fazer se estiver apaixonado por ela.
Um bom exercício é trabalhar em sua ideia até que ela esteja tão específica a ponto de você conseguir explicá-la em uma frase. Daí, teste essa frase com outras pessoas e veja que tipo de reação ela provoca. Faça isso até sentir que as pessoas entendem e enxergam valor na sua ideia. 

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Como, quando, durante quanto tempo e onde você vai materializar essa ideia?

Seja práticoNão basta ter uma ideia genial se você não tiver um bom plano para colocá-la em prática. Comece decidindo em que espaço da cidade a sua ideia será materializada. Por exemplo, se o plano é melhorar o trânsito, em que esquina ou rua você pensa em intervir para atingir esse objetivo? Se a ideia é estimular a convivência nos espaços públicos, escolha um que seja especial para você para fazer isso. Procure transformar seu projeto em uma lista de ações e compras, para mensurar sua meta. Pesquise os materiais mais indicados para o que deseja fazer, a maneira mais simples de executar e entenda o impacto que você quer provocar no espaço de sua cidade onde decidiu agir. Ouça as pessoas que frequentam esse espaço e entenda se sua ação será relevante para elas – se necessário, faça algumas adaptações. Defina a data e a duração da sua intervenção e pesquise se você precisa de autorização para realizá-la (falamos mais sobre a interface com o poder público abaixo).    
Um bom exercício é desenhar um mapa que contenha os atores, o impacto e o território da sua ação. Entenda, nessa lista, o que você sabe fazer sozinho e os pontos em que precisa de parcerias.  

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Com quem e para quem você vai materializar sua ideia?

Conecte-se. Colocar uma ideia em prática sozinho não é fácil. Provavelmente há pessoas com as habilidades técnicas de que você precisa que adorariam trabalhar contigo no seu sonho. Encontre essas pessoas na sua rede de contatos. Você pode fazer um chamado no Facebook ou no próprio local onde pretende agir. Pesquise também as empresas, institutos, ONGs, organizações da sociedade civil e demais movimentos que dialoguem de alguma maneira com a sua causa. Aproxime-se dessas pessoas, aprenda com sua experiência e entenda o jeito mais relevante de materializar sua ideia. Nesse processo, você começará a compreender e mensurar sua rede – ela será fundamental na divulgação da sua campanha, quando ela estiver no ar. Lembre-se sempre: ser realizador de um projeto é estar a serviço da uma rede e ser servido por ela numa relação de igualdade, em que todos saem ganhando.   

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Quanto custa (pessoas e material) colocar seu projeto em prática? O que tem valor no processo de execução do seu projeto (e pode virar recompensa)?

Calcule e equilibre. Seja minucioso com o custo do seu projeto. Coloque tudo na conta: as compras, a execução, a divulgação, o evento de lançamento (se houver), enfim, todos os gastos calculáveis que a sua ação tiver. Não esqueça de contabilizar a produção e o envio das recompensas. Procure mensurar também o valor que seu projeto terá para as pessoas. Examine as etapas da sua ação e liste o que você acha que as pessoas veriam valor em adquirir como experiência. Pode ser uma oficina de marcenaria, um mutirão de bio-construção, um encontro de dança e música numa praça, enfim, os desdobramentos naturais do seu projeto que podem virar recompensas. Seja criativo. No Mil Orquídeas Marginais (mais abaixo), por exemplo, uma das recompensas era uma orquídea plantada na beira do rio Pinheiros em nome do apoiador. Você também pode criar recompensas à parte do projeto, como camisetas, adesivos, ímãs, alforges, etc. Pense bem se você quer esse trabalho extra, a gente não recomenda não… Se ainda assim estiver empolgado, nossa sugestão é que escolha ítens que tenham relação com seu projeto. Por exemplo, a recompensa do Ping Point (mais abaixo), que queria instalar uma mesa de pingue pongue numa praça pública, era um conjunto de raquetes para o jogo. Resumindo: equilibre o custo e o valor do seu projeto.         
Uma ferramenta que pode te ajudar é a calculadora de orçamento do Catarse.

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Como as pessoas que se importam com a sua ideia vão ficar sabendo do seu projeto?

Faça-se ouvirUma campanha pensada quando o projeto já está bem claro tende a ser mais assertiva. É importante focar numa visibilidade direcionada, para atrair a atenção de pessoas que se importam com a sua causa o bastante para apoiá-la. Pelo que já foi medido em campanhas de crowdfunding bem sucedidas no Brasil, há três círculos de interesse que você pode considerar em torno do seu projeto. O primeiro é formado pelas pessoas mais próximas afetivamente de você. O Catarse chama esse círculo de ignição e ele costuma gerar de 55% a 80% do valor arrecadado. Em seguida estão os amigos dos amigos que ficaram sabendo de você e botaram fé na sua ideia. Quem é muito fera consegue chegar no terceiro círculo, do interesse público, em que pessoas que nunca ouviram falar de você se empolgam com sua ideia e decidem te apoiar. Pense na sua estratégia focando nesses três círculos. Outro fator a considerar é que as campanhas tendem a ter uma arrancada inicial na arrecadação, passam por um período mais morno no meio e na reta final (por vezes alucinante!) a velocidade sobe outra vez. Planeje-se para se manter ativo durante todo o período da campanha e pegar o melhor desses três momentos.
Uma ferramenta que pode te ajudar é Universidade do Financiamento Coletivo do Benfeitoria

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Como será a manutenção do seu projeto? Como ele por ser replicado em outros lugares?

Olhe para o longo prazo. Pense sobre qual é a vida útil que você deseja para o seu projeto. Planeje a manutenção necessária – e, se for o caso, adicione aos custos da sua meta. Veja em que casos o seu projeto poderia servir a outros bairros ou cidades que tenham características parecidas e já pense em como será possível replicá-lo. Olhar para o futuro pode te ajudar a fazer escolhas mais precisas no presente.

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Os projetos que nos inspiram

Escolhemos os projetos que julgamos mais relevantes e inspiradores do Brasil para te inspirar. Nosso critério de escolha foi: iniciativas que melhoraram espaços públicos e ensinam algo sobre a vida urbana, feitas por pessoas (ou pequenos coletivos) dando o melhor de si pela cidade.

proj-mil-orquiAlessandro Marconi é orquidófilo e Carolina Sbrana Sciotti é produtora. Há algum tempo, ele descobriu em seus estudos uma espécie nativa de orquídea que já povoou as margens do rio Pinheiros, a Cattleya Loddigesii. Desde que se casou com Alê, Carol começou a tecer com ele o sonho de devolver essa orquídea para a beira do rio. Daí nasceu a ideia de plantar mil mudas nos resquícios de mata ciliar do Tietê e do Pinheiros. Eles passaram algum tempo negociando com a CPTM e o Governo do Estado a permissão para o plantio até serem atendidos. “Hoje muitos dos funcionários vibram conosco a cada orquídea que pega”, conta Carol. Muitas das mil mudas pegaram. “Já pudemos até ver o agente polinizador [abelhas e pássaros] agindo e acreditamos que essas orquídeas podem se espalhar”, diz Alê. O Mil Orquídeas Marginais continua fazendo oficinas e encontros de plantio na beira dos rios.

proj-pimpThiago Mundano é um artista plástico que sempre teve uma relação especial com a cidade. Em suas andanças pela rua conheceu o movimento dos catadores de recicláveis e criou o conceito de “pimpar as carroças” – pintá-las e instalar equipamentos para que transitem com mais segurança pelas ruas. Mundano passou cinco anos pintando mais de 100 carroças. Com toda essa experiência acumulada, em 2012 ele submeteu ao Catarse o Pimp my Carroça, campanha que tinha como entrega um evento em que vários grafiteiros pintariam e reformariam uma porção de carroças. A meta de R$ 38 mil foi mais do que batida: ao final o projeto levou quase R$ 64 mil. E sua exposição levantou a bandeira de trazer visibilidade para os catadores nas ruas das cidades. Com o tempo, Mundano desenvolveu o Pimpex, um kit com tintas e equipamentos de segurança como retrovisores, faixas reflexivas, cordas e luvas, que pode ser adquirido por qualquer pessoa em uma campanha de financiamento coletivo de R$ 500. A iniciativa de padronizar a campanha para que possa ser replicada deu autonomia para que mais artistas do Brasil possam pimpar a carroça do catador mais próximo. Hoje o projeto organiza diversas ações pelo Brasil dentro dessa causa. 

proj-pingpoint O casal de arquitetos Dimitre Gallego e Luciana Antunes se apaixonou pelas mesas de pingue pongue que viram nas ruas de Barcelona. Tanto que passaram alguns meses tentando em criar um modelo para São Paulo. Trabalharam em alguns protótipos até chegar à melhor combinação entre qualidade, durabilidade e baixa manutenção. Daí submeteram uma campanha no Catarse, em dezembro de 2014, para construir essa mesa no Largo da Batata. Ao mesmo tempo, foram convidados pelo projeto da prefeitura de São Paulo Centro Aberto para instalar outra mesa no Largo São Francisco – o que deu mais força para sua campanha, que acabou sendo bem sucedida. Com o dinheiro na mão, precisaram pedir autorização na subprefeitura de Pinheiros para instalar a mesa PingPoint. “Passamos por diversas reuniões, foi bem complicado, mas no final conseguimos um Termo de Doação”, conta Dimitre. Esse termo significa que eles doaram o mobiliário para a gestão da cidade, que se responsabiliza por sua manutenção (veja mais sobre a interface com o poder público abaixo). Um ponto que merece atenção são as recompensas da campanha: raquetes e bolinhas para o jogo.

proj-playnaruaA primeira coisa que impressiona no Play na Rua é a simplicidade da campanha. Com uma meta de apenas R$ 100, o projeto das amigas Carol Romano, Carla Mayumi e Cristina Brand, com apoio da lanchonete Na Garagem, foi transformar uma rua em via de lazer no bairro de Pinheiros, zona Oeste de São Paulo, durante um domingo. O evento tinha uma série de ações orçadas, mas a ideia era reforçar que com apenas R$ 100 já era possível reunir adultos e crianças para brincar na rua – o que entrasse a mais comporia a meta estendida. O Play na Rua já teve duas edições, em 2014 e 2015, sempre perto do dia das crianças. Para conseguir ocupar a rua, Carol e Carla conseguiram autorização da CET (Companhia de Engenharia de Trânsito) de fechamento da via para lazer (mais sobre interface com poder público abaixo).

proj-queonibusO grupo de ativistas Shoot the Shit ficou conhecido em Porto Alegre pela habilidade de fazer barulho com ações criativas em torno de causas que promovam a qualidade de vida na cidade. Para trazer atenção à necessidade de tapar os buracos das ruas, por exemplo, eles organizaram um jogo de golfe em Porto Alegre tentando acertar esses buracos. A iniciativa atraiu a atenção da mídia e o asfalto foi recapeado pela prefeitura. Em fevereiro de 2012 eles criaram um projeto para melhorar a informação disponível nos pontos de ônibus. Criaram um adesivo que trazia o nome do projeto, “Que Ônibus Passa Aqui?“, e um espaço para ser preenchido pelo usuário de transporte público. Viabilizaram o projeto por financiamento coletivo e arrecadaram quase R$ 2 mil – a recompensa mais adquirida foram os próprios adesivos do projeto. A ação deu certo parcialmente: em pouco tempo os adesivos eram arrancados dos pontos. Daí eles criaram uma segunda campanha, em que os apoiadores adotariam um ponto e receberiam 10 adesivos em vez de apenas um, para cuidar da manutenção do projeto. Em um primeiro momento, a EPTC (Empresa Pública de Transportes e Circulação) foi contra. Depois tentaram implementar o projeto como política pública, mas acabaram abandonando a ideia. Ainda assim, o legado do projeto foi trazer visibilidade para esse problema.

proj-cidade-azulCidade Azul foi um projeto desenvolvido na Mesa & Cadeira – uma metodologia de aprendizagem pelo trabalho que reúne profissionais talentosos em torno de um desafio. Dentre os escolhidos para compor a mesa estão José Bueno e Luiz de Campos, do Rios e Ruas, Carol Ferrés, do Viva Rio Pinheiros e Denis Russo, diretor de redação da Superinteressante. O desafio do time era criar uma plataforma onde as pessoas pudessem descobrir os rios canalizados (portanto, invisíveis) de São Paulo e quisessem espalhar essa descoberta. A plataforma criada é um audio-guia, que cria uma experiência de navegação e percepção desses cursos d’água invisíveis. Em sua campanha do Catarse, a meta era viabilizar a produção da segunda edição desse audio-guia, com uma missão agora de transformar os rios no coração das cidades.

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Tiquatira em Construção foi o Trabalho de Conclusão de Curso das arquitetas Andrea Helou e Julieta Fialho pela Escola da Cidade. Em outubro de 2012 elas arrecadaram perto de R$ 17 mil para a construção de janelas, bancos, armários e latões de lixo no muro do córrego linear Tiquatira, na zona Leste de São Paulo. Um dos pontos fortes do projeto é o registro da intervenção em vídeo após a campanha.

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A interface com o poder público

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Em todos os projetos de intervenção urbana bem sucedidos que pesquisamos no Brasil, ouvimos relatos do poder público muito mais como um criador de obstáculos do que como um facilitador de intervenções urbanas. A gestão das nossas cidades tem pouco protocolo para pessoas físicas que querem trabalhar na escala hiper local – uma praça, esquina ou passarela de pedestres. Em geral, as prefeituras estão tão sobrecarregadas por problemas de larga escala que não conseguem lidar com a complexidade desses mini-projetos da sociedade civil. 

Mas não se assuste, procure saber antes se você precisa de autorização para sua intervenção. Isso varia, como você pode ver nas experiências dos projetos acima. O pessoal do Mil Orquídeas Marginais precisou de autorização da CPTM para se embrenhar nas árvores da beira do rio Pinheiros e plantar orquídeas. O Play na Rua contou com a ajuda da CET para transformar uma rua em via de lazer para crianças. O Ping Point passou várias reuniões negociando com uma subprefeitura de São Paulo a autorização para instalar sua mesa de pingue pongue. Uma boa maneira para descobrir se você precisa de autorização é se perguntar se há um tomador de decisão responsável pelo lugar onde você decidiu atuar. Se sim, é por aí que você precisa começar. É sempre uma boa se aproximar de projetos similares ao seu para saber como eles procederam.

Pesquise também as leis existentes na sua cidade para intervenções urbanas, como parklets, ruas de lazer, termos de doação (para doar mobiliário urbano), termos de cooperação (também para doar mobiliários, mas assumindo a responsabilidade de manutenção) e assim por diante. Nem sempre essas leis são fáceis de ativar em um projeto, mas elas ajudam a trazer visibilidade e relevância para a sua causa durante a campanha.

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As plataformas de crowdfunding do Brasil

O Brasil tem diversas plataformas de financiamento coletivo, que diferem um pouco nas taxas, na curadoria e nas regras do jogo. No “tudo ou nada”, mais comum, há uma meta financeira e um prazo estabelecido. O realizador só recebe o dinheiro se a meta for batida, caso contrário os apoiadores recebem o dinheiro de volta. Mas acreditamos que a diferença mais importante entre as plataformas está na abordagem, que é definidora para a rede de cada uma. Fique atento a isso para discernir qual a plataforma mais acessível e atrativa para a sua rede.  

catarseEssa é a plataforma para quem sente uma conexão muito forte com uma causa. A rede de interesse atraída pelo Catarse é formada por pessoas que querem transformar o mundo em um lugar melhor a partir do que elas acham que é importante. As áreas de interesse do Catarse vão se formando a partir dos projetos submetidos à plataforma e a rede vai ficando diversa na abordagem, mas unificada por esse objetivo comum. Essa rede mais coesa aumenta o poder de divulgação das campanhas. Já foi possível medir que os 13% de taxa do Catarse, em geral, são levantados pela própria rede da plataforma. Durante os últimos anos, o Catarse funcionou apenas na base do “tudo ou nada”, mas acaba de lançar a versão flex, ainda em teste. Vale lembrar que todos os projetos citados nesse manual foram viabilizados no Catarse, o que mostra a vocação da plataforma para gerar projetos relevantes, ressonantes e replicáveis nas cidades brasileiras.

Dados de dezembro de 2015
projetos bem sucedidos: 2,1 mil
quanto já movimentou: R$ 36 milhões
número de apoiadores: 250 mil

carta-benfeitoria2Essa é a plataforma que recomendamos para quem busca gerar impacto – e, mais recentemente, parcerias comerciais. A Benfeitoria criou no segundo semestre de 2015 o programa de Matchfunding com a Natura, que fez uma seleção de 6 projetos do Rio de Janeiro para serem apoiados pela marca. A cada real arrecadado, a empresa investe mais um na campanha e o apoiador leva recompensa em dobro. Vale ficar atento a esse e outros programas de incentivo feitos pela plataforma em parceria com outras marcas. Nos projetos viabilizados pelo tudo ou nada, a Benfeitoria é a única plataforma que não cobra taxa fixa dos realizadores – a contribuição é voluntária.   

Dados de dezembro de 2015
projetos bem sucedidas: 500
quanto já movimentou: R$ 8 milhões
número de apoiadores: 60 mil

carta-vakinha2Essa é a plataforma ideal para causas de pessoas (físicas ou jurídicas). A rede de interesse que se formou nessa plataforma é formada pelos contatos dos realizadores de cada campanha, sem uma coesão ou unidade. Tecnicamente, como não há recompensas nem prazo de campanha, é possível defender que a Vakinha não seja exatamente uma plataforma de crowdfunding. Mas optamos por colocá-la no manual pelo seu alcance (veja os números abaixo) e porque acreditamos que haja um potencial inexplorado nessa plataforma: reforma de calçada. Calçadas são vias públicas mas de responsabilidade privada. Em outras palavras, uma calçada própria para pessoas deve ser construída e mantida pelo dono da propriedade que margeia. A Vakinha tem vocação para esse tipo de causa pessoal com interesse público. 

Dados atualizados em dezembro de 2015
projetos bem sucedidos: 30 mil
quanto já movimentou: R$ 20 milhões
número de apoiadores: 300 mil

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O vídeo da sua campanha

Nosso background no Cidades para Pessoas não é a produção de vídeo – embora já tenhamos experimentado bastante esse formato. Ainda assim criamos essa sessão porque o vídeo é parte super importante da sua campanha. Mais do que dicas, separamos o melhor vídeo que encontramos em todos os projetos que pesquisamos e explicamos em alguns tópicos por que gostamos tanto dele. É um vídeo muito bem produzido, mas não se apegue a isso, seu vídeo pode ser muito mais simples – mas com atenção à qualidade do áudio.

Gostamos, nesse vídeo, da clareza do que será feito, de ver o lugar da intervenção e as opiniões favoráveis da comunidade que vive no entorno, de saber quem são as realizadoras e do fato de elas explicarem o que é financiamento coletivo e quais serão as recompensas. E por vários motivos mais subjetivos, como a leveza, a trilha, o ritmo e a verdade das realizadoras. Achamos que esse vídeo é uma boa mistura entre técnica e inspiração.

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EXTRAS

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Exercícios para te ajudar a investigar a sua cidade

Se você ainda não conseguiu ter clareza do seu projeto, sugerimos que investigue um pouco mais a sua cidade. Há dois exercícios nos links abaixo que podem apurar sua percepção das ruas e calçadas que te cercam. Talvez eles seja um bom caminho para encontrar seu projeto.

O meu território é…

O meu caminho é… 

Veja também o nosso Curso Livre – Como Ser um Hacker Urbano.

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Um pouco sobre as nossas campanhas bem sucedidas

Se o Cidades para Pessoas tivesse sido financiado de outra maneira, certamente seria um projeto diferente. Possivelmente seria menos livre, menos diverso e menos experimental. Foi muito especial fazer uma pesquisa sobre a vida na cidade apoiada por 276 pessoas que acharam esse trabalho relevante. Desde o começo do projeto, nosso compromisso foi com essas pessoas. Ao término da primeira viagem, estivemos na 9.a Bienal de Arquitetura e fizemos uma exposição na Matilha Cultural, com apoio do Itaú Cultural, sobre nossa expedição. Começaram as primeiras palestras, projetos especiais, e ganhamos um blog semanal no Planeta Sustentável. Fizemos uma segunda campanha, para a segunda fase da viagem, em setembro de 2012. Fomos bem sucedidas, com 286 apoiadores – muitos dos quais já tinham financiado a primeira campanha. O blog se mudou para a Superinteressante, fomos premiadas por reportagens publicadas, lançamos um diário ilustrado de viagem e passamos a fazer palestras em cidades por todo o Brasil. Em 2014, para tangibilizar nossa pesquisa em ações reais, criamos a Oficina Cidades para Pessoas, que tem como missão prototipar soluções para problemas urbanos na escala hiper local. Tivemos ali nossa terceira campanha bem sucedida, a Passanela, uma instalação para transformar o uso de passarelas de pedestres em uma experiência mais desejável. Em nossas duas primeiras campanhas erramos bastante. O orçamento tinha pouca folga e, para piorar, a produção e o envio das recompensas não entrou nos custos. As recompensas atrasaram e algumas tiveram que ser substituídas. É por isso que insistimos em aconselhar os realizadores a concentrarem suas recompensas nas consequências naturais do projeto, sem querer inventar demais. Colocar seu trabalho em prática, por si só, já vai dar muito trabalho, por isso não é uma boa dispersar energia. Também orçamos mal a campanha da Passanela, ficamos no limite. Ainda assim, foi possível trazer especialistas na construção de bambu para o detalhamento técnico e a montagem do nosso projeto, o que foi fundamental para garantir a qualidade da execução. A cada quatro meses, mais ou menos, voltamos à Passanela para a meninamanutenção da instalação. Sempre encontramos bilhetes, flores e enfeites deixados por quem passa ali todos os dias. Eles sempre nos lembram que uma campanha de financiamento coletivo não é fácil, mas vale a pena.

 

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